o passado: o rio das pessoas

Antes, o rio era das pessoas. E as pessoas eram dos rios. Por muitos anos o Pinheiros teve às suas margens diversos clubes esportivos e até competições aquáticas.


the past: people's river

Formerly, the river belonged to people. And people belonged to rivers. For many years, Pinheiros river had on its banks sports clubs and even aquatic competitions.

o passado: o caminho do rio

O mapa da foto abaixo mostra como era o rio no início do século passado. Cheio de curvas. E o tracejado representa como ele é hoje, após a retificação que se iniciou nos anos 30.


the past: the river path

The photo map bellow shows how the river was in the beginning of the last century. Curvy. And the dashed line represents how it is now days, after the rectification project that began in the 30s.

o passado: quando nos separamos

O distanciamento entre as pessoas e o rio chegou ao seu ponto máximo com a construção das avenidas marginais. Também não ajudou muito o fato dele ter se tornado destino de esgoto. Mas rio não é esgoto.


the past: when we moved away

The distance between people and the river reached its peak with the construction of the marginal avenues. Also, it didn't help the fact it bacame a sewer destiny. But rivers are not sewer.

a linha do tempo do rio pinheiros

Uma das intervenções feitas nas margens do rio, ao longo da ciclovia, foi a linha do tempo contando a história do Pinheiros, com 100 metros de comprimento. A arte foi aplicada sobre o muro da Estação Pinheiros da CPTM. Um trabalho realizado em parceria com a revista Superinteressante. Também participaram o jornalista Breno Castro Alves, o designer Renato Forster e o ilustrador Paulo Ito. Com muitas perguntas feitas ao Luiz de Campos Jr. e ao José Bueno, do Rios e Ruas. Ah! E tivemos o apoio do pessoal do Farol, do Instituto Choque Cultural. Confere abaixo a linha do tempo.


rio pinheiros timeline

Rio Pinheiros timeline is one of the interventions that happened on its banks, along the bike path. The art is 100 meters long, and was applied on the Pinheiros Train Station wall. It was a partnership with Superinteressante magazine. Also participated journalist Breno Castro Alves, designer Renato Forster and ilustrator Paulo Ito. Many questions were made to Luiz de Campos Jr. and Jose Bueno, from rios e Ruas initiative. We also had the support of the guys of Farol, of Instituto Choque Cultural. Check out the timeline below.



2.000.000 ac
UMA TERRA CHEIA DE ÁGUA
Córregos, rios, lagos e pântanos cruzavam todo o planalto paulistano, alimentando o grande lago que ocupava a região.
1.000.000 ac
NASCE O RIO
Foi formado o espigão onde está a avenida Paulista. A elevação dessas terras dividiu as águas do planalto e formou os rios Pinheiro e Tamanduateí.
20.000 ac
QUANDO SÃO PAULO ESFRIOU
O gelo aumentou ao redor dos polos e concentrou umidade do planeta inteiro. Com o clima mais frio e seco, árvores coníferas, como as araucárias, avançaram sobre estas terras. Esses eram os pinheiros que, milênios depois, iam nomear o rio que você está vendo (e cheirando) agora.
8.000 ac
MATA ATLÂNTICA
Com o recúo do gelo, a água voltou aos trópicos e nasceu a Mata Atlântica. Surgiu um rio lento, cheio de curvas, arrastado por uma planície alagada em paisagens de Mata Atlântica. Das coisas mais lindas do mundo.
2.000 ac a 1.000 dc
OS PRIMEIROS HABITANTES
Os povos maromomi e guaianá ocuparam o planalto paulistano. Outras tribos provavelmente habitaram essas terras, mas sua arqueologia está enterrada no concreto de São Paulo.
1.200 a 1.300
A MIGRAÇÃO TUPI
Os Tupis, guerreiros orgulhosos e expansionistas, seguiram seu caminho do sol a partir do interior do continente, migrando atrás de terras férteis e povos mais fracos para dominar. Assim, chegaram a este planalto, que nomearam Piratininga, o peixe a secar. É que aqui havia tanto rio que, quando as águas recuavam, muitos peixes ficavam para trás, na terra seca, e podiam ser pescados com a mão.
JURUBATUBA
É assim que os Tupis chamavam o rio Pinheiros. Jurubatuba, jerivá tyba e muitos outros nomes parecidos, que queriam dizer uma coisa: lugar de palmeira jerivá.
1.300 a 1.400
VIDA EM CANOAS
As tribos navegavam os rios em canoas, realizavam trocas, migrações e guerras sobre as águas.
1.515 a 1.520
O PORTUGUÊS SUBIU A SERRA
João Ramalho, náufrago português, se deu bem os índios. Aprendeu a língua, casou com muitas, teve tantos filhos mestiços quanto pôde. Gostou daquela gente pelada. Plantou a semente do povo paulista, mameluco, nem índio, nem branco.
1.554
NASCE SÃO PAULO DE PIRATININGA
Os jesuítas sobem a serra e fundam seu colégio. José de Ancheta, Manuel da Nóbrega e sua Companhia foram bem recebidos por Tibiriçá, cacique tupiniquim recém convertido ao cristianismo.
1.560
VILA DE SANTO AMARO
Fundada sobre a aldeia Ibirapuera, Santo Amaro era uma vila rural, bastante mestiça, situada às margens do rio.
1.564
NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DE PINHEIROS
Os jesuítas fundaram uma missão onde hoje é o Largo da Batata, em uma aldeia que existia ali. Além de terem suas almas salvas da perdição eterna, os índios produziam alimentos, auxiliavam na defesa de São Paulo e na travessia do rio.
1.607
O EMBRIÃO DA INDÚSTRIA
O sítio Virapoeira, às margens do Pinheiros, foi uma das primeiras fundições de ferro do Brasil. Produzia pregos, enxadas, foices, instrumentos náuticos e correntes para prender índios. O sítio provavelmente inaugurou a tradição paulistana de lançar dejetos industriais diretamente nas águas.
1.776
REGIÃO QUILOMBOLA
Consta nos autos da cidade uma ordem deste ano em busca de capitães do mato, contratados para recuperar os negros fugidos que viviam às margens do rio.
1.900
AS VÁRZEAS
Mais ou menos 1,5km de cada lado do rio era várzea, brejo alagado, cheio de pernilongo. Algo de cdidade começa a chegar. Terras ruins dem orar. Boas para jogar bola. O esmaga-sapo futebol clube foi um dos times que nasceram na várzea do Pinheiros.
1.910
BALNEÁRIO PINHEIROS
As águas calmas e limpas do rio ficavam perto do centro, ideal para um passeio dominical. A urbanização ganha força e o rio se torna praia de paulistano. Seu nome também muda: Rio Pinheiros, que esse negócio Jurubatuba é coisa de índio.
1.929
A LIGHT INUNDA SÃO PAULO
Em 1929 choveu muito, bem acima da média. A Light, na malandragem, abriu suas comportas e inundou uma área enorme na cidade.
MAS POR QUÊ UMA EMPRESA FARIA ISSO?
Vamos dar uma olhada: fundada no Canadá em 1889 para operar em São Paulo, A Light fornecia energia para a cidade. Construiu represas, barragens, usinas e retificou rios. Monopolizou o setor e transformou a paisagem para gerar eletricidade. Um contrato assinado entre a Light e São Paulo estabelecia que as terras alagadas que fossem drenadas e saneadas pela retificação do Pinheiros virariam propriedade da Light. Assim, em 1929, a empresa marota abriu suas comportas mais do que o necessário e ampliou a área alagada, inundando bairros inteiros: Itaim Bibi, Santo Amaro, Vila Olímpia, Vila Funchal, outros. A jogada deu certo e a empresa desapropriou um total de 21 milhões de metros quadrados, abocanhando uma área enorme da cidade.
1.940
VIRARAM O RIO AO CONTRÁRIO
Um marco na domesticação das águas, a usina elevatória de Traição inverte o curso do rio para encher a Guarapiranga e, assim, garantir a geração de energia na usina Henry Borden, em Cubatão. Qual a única empresa que faria isso em São Paulo? Você acertou: a Light.
1.950
O RIO FICA RETO
Após 30 anos de obras da Light, o rio Pinheiros chega a seu traçado atual. A empresa eliminou as várzeas e retificou o rio, confinando as águas e liberando terras para a expansão da cidade.
1.955
INTERLIGAÇÃO DA REDE DE ESGOTOS
A obra de saneamento fez com que todo o esgoto d cidade chegasse sem tratamento ao Pinheiros e Tietê. A urbanização ganhou força e o rio entrou em coma. Resíduos industriais, que são tóxicos, e esgoto doméstico, que é principalmente cocô, são jogados nas águas sem qualquer tratamentos.
1.970
MARGINAL PINHEIROS
A obra jogou uma pá de asfalto no acesso humando ao rio, que já estava comprometido desde a retificação.
1.992
PROJETO TIETÊ
Finalmente, começamos a cobrar maior rigor nos dejetos industriais. A poluição tóxica diminuiu, mas o estado geral seguiu crítico. O então governador Fleury garantiu que beberia um copo de água do rio até o final de seu mandato. Não bebeu até hoje, 22 anos e R$14 bilhões depois.
O rio está vivo. Se quer prova, siga pedalando, prestando atenção às margens. Talvez você dê sorte de avistar uma capivara. Ou procure vídeso de 'pesacaria no Tietê' na internet. Tem peixe aqui, cara. Ele está vivo. Em coma, mas vivo. Sua potência segue subterrânea, sufocada por uma espess camada de cocô humano. Nos últimos anos o governo tentou limpá-lo jogando susbstâncias químicas nele, mas a ideia, além de cara, não é muito boa. Não se limpa um rio, que está sempre correndo: só o que é preciso é parar de sujá-lo.
TIPOS DE POLUIÇÃO:

ESGOTO DOMÉSTICO: gordura, restos de alimentos e principalmente cocô. Não é tóxico, mas sua decomposição consome muito oxigênio. A partir de certa concentração de esgoto, sobrevivem apenas bactérias anaeróbicas comedoras de cocô.

RESÍDUOS INDUSTRIAIS: neste campo estão uma série de substâncias que são o lixo resultante de processos industriais. Apresentam alta toxicidade, ou seja, envenenam a água e causam dano a longo prazo: metais pesados, pesticidas, detergentes, ácidos, tintas e outras nojeiras.

CARGA DIFUSA: tudo aquilo que é carregado para o rio. Lixo na rua ou móveis largados em córregos, bitucas de cigarro, e poluição atmosférica levada pelas águas.
2.008
NOVA PONTE VELHA
Símbolo de um urbanismo rodoviarista ultrapassado, a ponte estaiada consumiu 147 milhões de quilos de concreto e não possui espaço para pedestre, bicicleta ou ônibus.
2.014
O DIA EM QUE MERGULHARAM NO RIO
As estátuas de banhista prestes a pular nas águas, de autoria do artista Eduardo Srur, resgatam a possibilidade de mergulhar num rio vivo.
DAQUI PRA FRENTE, O FUTURO
Um exercício de imaginação, então: pensar no que esse rio pode vir a ser. Apresentamos dois caminhos possíveis.
quem realizou


quem contribuiu


agradecimentos do crowdfunding
Abramides Gonçalves Advogados Drica Guzzi Christina Cupertino Elvira Ferrés Marisu Buquet Denis Russo Burgierman Lucas Mello Barão Di Sarno Brad Haynes Maggi Krause Conrado García Ferrés Laudo Natsui Vivercidade Marcela Fernandes Leslie Markus Mauro Silva Thais Rensi Carolina Piccin Naomi Arruda Mauricio Casaroti Otavio Rodrigues Tatiana Kallas Mari Turato Carol Romano Ana Clara Cenamo Fernanda Nakaza Juliana Pimentel Instituto Aromeiazero Eduarda Paternostro Gabriela Zaborowsky Rodrigo Cunha Bruno Ancona Lopes Ahualli Frasão Feik Ana Horta Carolina Piza Jean Marcel Alencar Monica Kayo Manuela Colombo Lauro Henriques Jr Andre Melman Paula Sá Andrei Sevciuc Anelis Assumpção Marcia Carini Camila Camargo Maria Eudoxia Pilotto de Carvalho Rafael Liminha Débora Borges Leticia Matos Mauricio Reis Carolina Sbrana Sciotti Lucas Fazioli Fedele Guilherme Ortenblad Renato Forster Marisa Murta Lucía Ferrés Bruna Natalina Juliana Russo Leticia Romão Julia Curan Lucila Villaca Mikael Linder Paola Caiuby Santiago Mariana Machini Wallace Freitas Reis Marcio Moretti Rafaela Silva Gabriela Paz Sampaio Fernandes Carla Vila Maria Helena Tedesco Danilo Dantas Adilson Moretti Paulo Ito Fabio Freire Natalie Assad Juliana Nascimento Daniela Moraes Lucia Jordan Gonçalves Victor Hugo F. Cremasco Cristiane Teixeira Carlos Alkmin Maria Fernanda Naufel Beatriz De Capua Virginia Ferrés Juliana Schneider Tomas Zakia Flavio Moreira Agatha Kim Cecilia Forster Rodrigues